There’s a ribbon in the sky for our love

Tirei o domingo para resolver coisas.

Eu tenho me sentido cansada, sobrecarregada mesmo. Mas o peso de não ter ideia se vai dar pra sobrevviver o mês inteiro é o que mais me desgasta. Não ter um emprego fixo e contar com pessoas propondo projtos em que eu preciso trabalhar antes e receber depois de 30, 60, 120 dias ou esbarrar em propostas de sociedade, em que eu entro com todo trabalho e conhecimento e recebo quando a empresa tiver lucro são fatores que ajudam a me desorganizar.

Também tem o fato de que eu estou tentando me aperfeiçoar em vários aspectos, então estou estudando e produzindo material em um ritmo que meus 45 anos não estão acompanhando.

Eu penso direto na pessoa que eu gostaria de ser no mundo, as coisas que eu queria ser, fazer, conseguir e me parece que eu precisaria ter tido esse pensamento na adolescência e ter brigado muito para conseguir essas coisas.

Apesar de tudo isso fiz algumas coisa hoje pra facilitar minha semana e cumpri com pendências que acabariam me atrapalhando ou pesando na minha mente nos próximos dias.

1- Atividades WomakersCode

Estou aprendendo uma nova linguagem de programação. Foi um esforço grande entrar para o programa, eu coloquei muita expectativa no método de ensino, mas estou um pouco frustrada. Com o método, com a evolução, com meus resultados. Meu desanimo estava tão grande que acumulei 18 aulas e 20 exercícios. Cada aula tem entre 15 e 50 minutos, então o dia foi longo e arrastado nesse sentido.

No meio do processo minha cabeça vai pra mil lugares diferentes, eu tenho sono, fome, saio do lugar, me distraio. Me preocupa não estar conseguindo acompanhar minimamente aulas e conteúdos da minha própria área. Eu sinto como se tivesse perdendo a capacidade de absorver conteúdo.

2 – Organização da semana

Eu tenho notion, planners, agendas, mas raramente consigo seguir exatamente o que planejo. Funciona com excelência quando tenho um trabalho fixo, e funcionava quando morava com meu filho. Sem isso nem hora pra almoçar e jantar eu consigo cumprir. Essa semana quero testar voltar para o papel. Considerando a quantidade brutal de coisas pra fazer, deixar tudo o mais visual possível talvez facilite a minha vida.

No começo do ano eu comprei o planner da todavia, preenchi toda animada com textos, adesivos fotos, anotava os compromissos, detalhes do trabalho, experiencias. Colei ingressos, anotações do curso de Restauro e Conservação de papeis. Mas ai chegou o finzinho de abril e uma nuvem negra (com nome e sobrenome) me dominiou e um imenso hiato aconteceu, como se não valesse mais a pena registar qualquer coisas. Mas estou retomando. Acho que preciso me permitir momentos de luto justamente pra não me abandonar pelo caminho, é assim que me perco.

3 – Preparar a casa

Lavei toda a roupa (na mão, minha maquina esta quebrada), coisa que devia ter feito ontem, já que foi só enxaguar tudo pro céu ganhar o peculiar pantone cinza São Paulo. Ainda não choveu mas tenho certeza que vai. Mas tenho bolo de limão, a casa esta limpinha e “energizada” com alfazema convidando pra mais um capitulo de Pachinko ou o finzinho de Sul & Oeste, que esta mais arrastado do que nunca.

Sempre que eu me sinto emocionalmente desorganizada, eu limpo e ajeito a casa. É como se eu precisasse começar por algum lugar embora minha casa nunca esteja bagunçada o suficiente agora que moro sozinha. Nada fica fora do lugar e eu tenho a mania de lavar a louça enquanto estou fazendo as coisas, logo, nunca tem louça. Em resumo, fica mais dificil organizar a mente sem ter o que organizar na casa.

6 – Stearling Point

Hoje de manhã terminei de assistir Stearling Point. Que seriezinha mais simpática. Confesso que não é muito meu estilo de série, mas desde Off Campus tenho dado uma chance. Eu gosto de coisas como Succession, Servant, Dark, A Maldição da Residência Hill, Twin Peaks, Objetos Cortantes e sair da minha zona de conforto tem sido interessante.

Stearling Point é levinha, com uma fotografia linda apesar de zero unidades de personagens negros (qual a novidade?). O prime tem feito um bom trabalho nesse tipo de série, mas dificilmente vai se superar depois de as Flores Partidas de Alice Hart ( que eu amo, não entendo porque não foi mais divulgada e nem porque é tão difícil conseguir o livro).

7 – O nome do Pai

Hoje é dia dos pais. Meu pai faleceu a 10 anos, em dezembro de 2016 de câncer. Ele era alcoólatra, minha relação com ele era de amor e ódio. Quando ele descobriu o câncer eu estava noiva, e ele e minha mãe só contarem do câncer quando tinham certeza que eu não poderia desistir de casar e eu já estava em um outro estado sem nenhuma possibilidade de retorno. Eu entendo o que foi feito, eu entendo porque foi feito, mas não é algo bem resolvido em mim e que sempre retorna. Não tive e nem tenho ninguém com quem falar sobre isso além da terapia, minhas relações familiares são estranhas e dadas a repressão emocional. Somos força, trabalho e praticidade – também morremos cedo acredito que pelas mesmas razões. Enfim, esse assunto tem me rondado nas ultimas semanas, mas hoje eu tomei a decisão de não falar mais sobre isso, pelo menos não com a minha família. Não é necessário e aparentemente é só meu. Apesar da enorme mentira (algo que abomino embora entenda) meu pai sempre estará nas suas musicas, e no final é tudo dele que ninguém pode tirar de mim. Nem a música, nem a memória e nem o significado que eu sou pro que foi, AOS MEUS OLHOS, ser filha dele.

If allowed, may I touch your hand?
And if pleased, may I once again?
So that you, too, will understand
There’s a ribbon in the sky for our love

Ribbon in the sky –
Stevie Wonder

✴︎ Este post faz parte do BEDA 2026 do Entreblogs

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