Coisas que perdemos no caminho
Eu acho que passei a vida inteira vivendo no futuro. Pensando em como seria amanhã, se vai dar pra sobreviver, se vai existir saúde, prosperidade, felicidade, amor, alegria? Será que eu vou ser uma boa mãe, esposa, amante, amiga, filha, profissional? Existia o amanhã e o hoje, com as coisas que tinham que ser feitas.
Eu estou preenchendo um documento para um processo que quero participar e precisei olhar para o passado. Foi quase uma provocação do tipo, li este as coisas que você fez. E como eu já estava nesse processo de refazer linkedin, currículo e lattes pareceu um processo muito natural. Eu lembro de tudo que eu fiz, o nome dos meus projetos, pra que eles serviam, ou pelo menos eu achava que lembrava.
Ontem nessa coisa de olhar projetos que morreram cheguei em um que comecei em 2014 e eu não lembrava todas as coisas que eu tinha feito por causa desse projeto. Eu dei palestras, visitei lugares, conheci pessoas, trabalhei muito, dei entrevistas, participei de Podcasts e eu simplesmente não me lembrava disso. Achei uma página de facebook com mais de 2000 seguidores o que pra época era realmente grande, mas não consegui recuperar a pagina infelizmente, nem o instagram. Mas recuperei o e-mail, e esse foi o verdadeiro cálice sagrado da memória. Uma quantidade brutal de trabalho social, de trocas e a coisa mais importante: eu estava apaixonada pelo que estava fazendo. Me transformava como pessoa, ajudava outras pessoas. Por tudo que eu li, palavras minhas mesmo nessas trocas, eu acreditava MUITO naquilo que eu estava fazendo.
Tentei pensar muito no que me fez abandonar o projeto. acredito que falta de grana pra manter no ar, talvez falta de apoio, eu realmente não sei. O que eu sei é que no meu ultimo casamento eu perdi tantas coisas pessoais. E eu não percebi nada disso. Eu vivia dizendo que nunca tinha sido mais feliz, que tudo era tranquilo, que a gente nunca brigava. Eu reconhecia como o casamento todo me pesava e me massacrava financeiramente, mas eu achava que ganhando mais isso se resolveria. No final eu estava esgotada, ainda levei o golpe dos golpes e mesmo assim não percebi o quanto esses 6 anos me consumiram e eu me tornei uma pessoa de quem eu não gosto.
Não é nada estranho parte das minhas amizades não terem conseguido acompanhar essas mudanças, porque foram mudanças pra pior. É claro papo pra levar pra terapia, mas eu estou aqui trabalhando em resgatar mais um projeto, tenho até segunda pra listar tudo que já fiz e nisso vou entendendo que fiz muito.
Eu sempre me perguntei porque eu tinha tanto seguidor nas redes sociais, mesmo no linkedin, se eu sou apenas uma camponesa reclusa. Bom parece que eu não sou nem tão camponesa, e nem fui tão reclusa assim 🙂 – to louca pra em breve deixar esses projetos todos no ar de novo, nem que sejam só como memorial, mas duvido que eu deixe eles quietos por muito tempo.
✴︎ Este post faz parte do BEDA 2026 do Entreblogs
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