Blogs que me marcaram – parte 1

Eu sou uma colecionadora de links, uma apaixonada por blogs. Mas me lembro do momento exato em que a minha maneira de bloggar mudou completamente. Eu já mantinha um blog a mais de 10 anos, eu lia (e participava) de projetos escrita de zines, escrevi pro finado COL (cardoso on line), mas era como se escrever fosse uma coisa compeltamente desconectada da minha vida.
Eu lia o Brazileira Preta, da Clata Averbuck, na verdade acho que comecei a acompanhar a escrita dela no Dexedrine. Ali eu jamais poderia imaginar que nos tornaríamos amigas, nos encontraríamos inúmeros lugares e pensamentos.
Mas eu sinto que tudo mudou , da simples escrita pra uma escrita absurdamente pessoal , quando encontrei o Ervilha Cor de Rosa, da Rosa Pomar. Eu tinha casado a pouco tempo, passava os dias sozinha fechada em casa, em uma cidade em que não tinha e nem conhecia ninguém. Não podia ligar pra casa porque era caro, e nem gastar internet pela mesma razão então precisava fazer boas escolhas. Eu acessava o ervilha cor de Rosa todos os dias, a Rosa tinha “a vida que eu queria”. Ela estava com a filha bem pequenina e fazia bonecos. Eu engravidei um ano e meio depois que casei e eu não só lia a Rosa como admirava o maternar dela. Eu passei a costurar a mão, entrei num grupo para trocar coisinhas de feltro feitas por outras mães. Ganhei coisinhas lindas, e foi como um universo tão paralelo que eu mal tinha noção da minha própria realidade. Eu acredito que blogs mantiveram minha sanidade nesse período.



Junto com o Blog da Rosa eu era absurdamente apaixonada pelo Interlúdio da Mariana Newlands. Acho que achei ele antes de achar o Ervilha cor de Rosa, eu gostava da escrita, eu era maluca pelas ilustrações, as fotos, os projetos gráficos, a escrita. É interessante porque eu acho que eu era mesmo uma especie de fã, eu comprava os livros das blogueiras que eu lia. Comprei o Maquina de Pimball da Clara, comprava os livros que a Mariana Ilustrava. Tenho “O amor Companheiro” que comprei só porque ela ilustrou. Era uma admiração bonita, que quero resgatar em algum momento do jeito certo.




Nessa mesma energia das ilustrações e da vida do Interlúdio eu acompanhava as carinhas em coisas improváveis no Papeis por todo lado da Ana Ventura. Revendo o blog dela fico pensando o quanto talvez tenha nascido ainda nessa época a sombra do que seria meu interesse em artes em papel. Ana ilustrava, costurava, gostava de pisos na mesma proporção que eu gostava de azulejos.


Manualidades sempre me encantaram, mas eu acho que nunca me permiti. Quando eu era mais nova eu queria ser escritora, costureira ou ilustradora. E eu deveria ter seguido meus sonhos enquanto eu tinha eles. Eu tenho feito alguns cursos sobre papel. Pela primeira vez na vida uma amiga me disse “você deveria escrever um livro” e vindo de quem veio eu considerei de verdade. Queria não estar tão concentrada em sobreviver pra talvez fazer mesmo essas coisas. Essa semana eu me peguei revirando a casa atras de 35 centavos, foi um dia difícil. Eu estou apegada a 1 nota de 20 reais que carrego comigo e protejo com a vida porque é absolutamente tudo que eu tenho. Mas agora sem anda, parece que vão abrindo espaços pra olhar pra outros lugares de vida, talvez pra essência das coisas.
Enfim, eu tinha planos de colocar mais blogs aqui, até porque minha coleção é imensa, mas nesse momento o Waybackmachine esta fora do ar. Mas eu vou voltar aqui, ou vou resgatar esse material em um outro momento e então mostrar cada bloguinho como eles eram.
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Karina Marques
eu acho muito legal como alguns dos nossos gostos passaram a ser mais explorados e desenvolvidos por conta dos blogs que lemos no passado. acho que esse tipo de influência foi/é muito mais saudável do que o das redes sociais. um beijo enorme! ❤
Nicolle
Que legal <3, os blogs também sempre foram uma maneira de me manter sã. Fique bem, tudo de bom eu envio para você. De todo o meu coração, Dulce Nicolle