Então, o que eu quero?

escrito por M.
Vida Acontecendo

Nunca pensei em escrever um blog em um idioma que não fosse o meu. Também nunca imaginei que chegaria a esta fase da vida cercada de pessoas e, ao mesmo tempo, absolutamente sozinha. E a parte mais complexa é que há tanta gente, e essas pessoas têm o poder de me inibir. Não escrevo no meu próprio idioma porque não quero ser encontrada. Não quero que as pessoas ao meu redor me leiam — exatamente como na adolescência, quando eu escrevia em códigos, mesmo sabendo que ninguém teria o menor interesse em ler o que estava nos meus diários.
Enfim, escrevo na esperança de poder ser eu mesma, de não ter de explicar nada a ninguém — para que não pensem que é uma ofensa velada, para que meus escritos possam ser meus e encontrar outros tipos de pessoas pelo caminho.
O mundo é imenso. Somos mais de 8 bilhões em uma pedra quente, e isso, por si só, é mágico. Por isso, sei que encontrarei coisas mais bonitas ao longo da jornada.
Escrevi por muitos anos, mas é como se, em certo momento, eu tivesse acabado me tornando uma personagem — fazendo no papel o que sempre fiz na vida: fingindo ser o mais agradável possível. E, obviamente, isso não é algo muito fácil de sustentar. Perdi-me completamente no processo, sobrecarregada pelas expectativas dos outros, pela minha carreira, pela minha família. Tudo o que eu deveria ter sido e tudo o que eu era acabaram me soterrando, deixando-me perdida, sem me reconhecer em nada do que criei até agora.
Este ano, depois de muitos acontecimentos e muito caos, estou determinada a viver 100% sendo eu mesma, especialmente porque não tenho mais nada a perder. O desafio é descobrir, depois dos 40, exatamente quem sou, do que gosto, o que faz sentido para mim e o que não faz.


*hoje é 06 de julho de 2026 e passei a escrever no meu idioma.

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