Bússolas – pré BEDA
Passei a semana toda remoendo o fato de que sei como as bussolas funcionam, tecnicamente e teoricamente, mas não sei usar uma ou que fazer com ela. No fim de semana passado mergulhei em filmes, séries e documentários a principio pra alimentar o silêncio de dias vazios, mas depois percebi o quanto eu estava bem fazendo algo fora do meu convencional, não ocupando o dia com “utilidades”. Assisti O que faltava de Twin Peaks depois de rever a primeira e a segunda temporada da śerie e Os Últimos dias de Laura Palmer e completar com Twin Peaks o Mistério e a Terceira temporada. Empolgada com uma tonelada de David Lynch fui nas inspirações, nas coisas que meu filho assiste e cai em Persona de Bergman e parecia que eu estava tendo um AVC e tinha perdido a capacidade de entender mensagens simples. Desorientada. Vi alguns documentários e cai no meu nicho preferido que sempre será mulheres fazendo coisas, de preferencia escrevendo, publicando ou NAVEGANDO. Num desses documentários três mulheres fazem uma travessia no atlântico, e antes de dar tudo certo, dá tudo muito errado. Assistindo isso eu pensei que se estivesse em uma situação dessas eu não saberia me localizar, simplesmente porque eu entendo pra que servem as bússolas e como elas funcionam, mas eu não sei usar uma.
Desde que eu conheci o Entreblogs voltei a ter um desejo já conhecido de escrever apenas pelo ato de escrever. Voltar a cuidar de um blog, anotar coisas em cadernos porque quero aprofundar isso num post. Mas assim como não sei usar uma bussola e entender pra onde ela aponta já que não sei o que exatamente esta ao norte ou ao sul – e ai se não sei pra onde quero ir, de que adianta ter a bussola? – eu ainda não sei muito bem pra onde navegar com meu blog. Ainda ssim, é essa comunidade que acaba me provocando a pensar fora da minha caixa e olhar com carinho até pra partes esquecidas de mim. São tantos, assuntos, ideias, celebrações, pontos de vista diferentes, mascom um proposito e acho que aqui não cabe exatamente esta palavra, talves esteja mais pra um efeito colateral, comum que é registrar algo, guardar como em um museu formatos, imagens, histórias momentos que por fim talvez seja uma forma de resgatar “coisas que brilham” de devoradores de “estrelas”.
Em 30 anos de blog eu nunca participei de um BEDA – blog every day (august/april) – eu participava de blogagens coletivas, chamava algumas, mas nunca vivenciei um desafio de escrever todos od dias no meu blog. E vem do entreblogs esse chamado. O desafio por si só é interessante, mas a maneira como ele foi construido pela Barbara e pelo Igor, a dedicação, o cuidado e a forma da coisa toda me pegaram demais. A proposta esta em um formato de quest de RPG, um mês em que vamos “jogar” com as nossas palavras nosso proprio D&D. Criamos inclusive personagens e eu me vi fazendo dois depois de me empolgar nos criadores e avatar e depois correr e me adequar a estetica dos demais.

Criei Alena, a engenheira. Quero construir minha maquina da memória. Tapei o “olho ruim” e vou tratar esse blog como meu barco pirata. Ok, eu poderia ter colocado mais linhas de expessão nela, mas gostei do resultado final do meu alter-ego de jogo. A personagem esta tão alinhada com meus sentimentos com relação ao blog em si, e a minha escrita, e águas, mares e marés que espero poder escrever mais sobre isso e aprofundar a ideia.
“Alena sempre foi engenheira, mas sua guilda não se dedicava a construir apenas pontes ou máquinas de guerra. Ela pertencia à Ordem dos Engenheiros da Memória, uma linhagem rara de artífices que acreditava que as histórias e as pessoas são as estruturas mais complexa do mundo.
Para ela, a palavra é uma máquina perfeita que pode levar a caminhos sem lógica e que contrariam a matemática e a engenharia. Seu grande projeto deixou de ser a máquina de teletransporte e passou a ser “A Máquina de Registrar Eternidades”, um dispositivo que captura momentos e os transforma em histórias imortais.” – AAARRRRR divertido demais.
Encontrar meu clã, ou um grupo com um hobbie comum e me permitir fazer coisas como esta sem me sentir cobrada é gostoso demais, ainda estou um pouco deslumbrada com isso. Me empolguei e me inscrevi para a Jornada do herói, a pessoa que escreve todos os dias. Me parece um desafio complexo, conhecendo a minha dificuldade de criar uma rotina, mas quando eu olho pra pessoa que eu gostaria de ser no mundo, escrever todos os dias como fazia em meus diários é algo que quero que seja meu.
Eu estou acompanhando o planejamento das outras pessoas, achando o máximo quem já tem temas, posts, ideias. Pra variar vou participar “no pelo”. Vai do jeito que der, mas vai. E eu esperei muito pra que esse sábado chegasse. Eu imagino que eu vá escrever sobre coisas que estou lendo, sobre pães que não crescem, sobre me permitir sonhar com uma coisinha e meu medo/descrença em sonhos, sobre as coisas que estou estudando, sentimentos, e os dias. Eu tentei organizar outros aspectos da minha vida pra terquem sabe criar a minha hora do BEDA, pra escrever meus posts e ler todos os dos participantes da jornada.
Eu queria ter me organizado, feito planilha, definido pelos menos assuntos. Queria reescrever minha página de sobre, separar fotos e histórias, ler uma porção de gente com calma. Queria ter definido em que momento do meu dia vou parar pra escrever, criar pequenos rituais pra condicionar o cérebro. Mas não fiz nada disso e inclusive acho que deveria estar pensando no post de amanhã, o post numero 1 do desafio, mas claro que não, estou aos 45 do segundo tempo, de uma semana bem turbulenta, a meia luz, ouvindo 9 horas de sons de tempestades e queimando o que deveria talvez ser meu primeiro post . Me lanço no mar desse projeto com o barco meio capenga e compleamente apaixonada por fazer parte de algo.
Um brinde aos ansiosos porém despreparados e um pouco perdidos ~ e levanto uma garrafa de rum ! ![]()
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