“Chamem-me de Ismael”
Eu estou em uma semana cansada. Poderia facilmente argumentar que é o pós eleições, algum tipo de descrença nas pessoas, ou meus excessos sociais-estudantis. Mas acho que é outra coisa.
Eu sou cética, cinica, descrente, de tudo e de todos. Não acho que isso seja uma qualidade, mas também não acho que seja um defeito. Me parece mais um conjunto de adjetivos, uma coisa que não dá pra evitar. Eu não espero nada de ninguém, só o pior, eu planejo coisas já contando que elas vão dar errado e quando der errado, vai estar tudo bem, sem surpresas. Então os resultados de primeiro turno não me pegaram de surpresa.
Eu me preparo a anos pra brigar, pra matar e pra morrer. Penso e estudo como sobreviver, tenho rotas de fuga, mapas mentais de como resgatar meu filho nos lugares onde por ventura ele possa estar. Como manter a sanidade mental em situações estremas. Penso nas situações em que seria mais viavel desisitr, mas nessa lista não tem quase nada. Meu cansaço não vem disso.
Essa semana aqui parece que eu fui inundada pelo mundo dos outros, muita gente, muito assunto. Me peguei me comportando nos padrões antigos, trabalhando loucamente, perdida nos dias, errando dos dias de aula. E sim é muita aula, estou em 3 universidades diferente e em 1 bootcamp, estou fazendo politica e tentando ver se os amigos estão bem. Voltei a atender as demandas falamiliares, embora desta vez tenha comunicado pela primeira vez com todas as letras : eu vou cuidar de mim, e preciso que vocês cuidem de vocês, não contem comigo pra NADA porque AGORA eu não consigo.

Trabalho é uma questão pra mim e eu preciso mudar de alguma maneira a forma como vejo isso, como faço isso. parece que eu me liberto dessa doença mas muito rapidamente volto pros mesmos padrões que me adoecem MUITO.
Também me vi hoje contando toda a história que tenho mantida guardada pra mim desde 2018 sem tornar publica mas que definil o restante da minha vida em muitos aspectos. Falei, falei, falei. Não posso fazer disso uma rotina e nem quero que isso se torne a minha cachalote branca que arrancou a minha perna.
Eu tenho pensado bastante em situações que aconteceram, não de forma triste, talvez de forma conciente e avaliado o que fizeram comigo. Eu não gosto de achar que alguém pode fazer algo comigo, visto que não sou uma “coisa”, e que eu sou responsavel peloas acontecimentos da minha propria vida, afinal de contas mesmo quando o desfecho não é positivo eu participei, estive na situação, e não acreditando no conceito de culpa e sim de responsabilidade, entendo que a responsabilidade é compartilhada em algumas situações. Mas talvez só agora eu consiga olhar “de fora” algumas situações que nunca foram concentidas, que foram sim violentas e que não poderiam/deveriam ter acontecido. Tenho horror do lugar da vitima, não sou uma vitima. Mas acho que preciso asusmir pra mim mesma que coisas aconteceram, e olhar com carinho para o que fizeram comigo. Talvez não conseguir tirar o assunto da mente esteja me cansado mais do que dias “normais”.
Nem meus livrinhos estou conseguindo acompanhar. Eu quero escrever sobre coisas que vi e que fiz. Sobre coisas que estou sentindo. Mas fico pulando de uma atividade pra outra sem terminar nenhuma e quando não é isso me pego rodando entre a sala, o quarto e a cozinha sem nenhum motivo aparente.
Quero me dar duas semanas pra me reorganizar e me alinhar novamente como eu estava fazendo antes. Talvez precise cortar alguns dos compromissos que acabei assumindo. Mas aintes perder compromissos e a promessa de oportunidade (não são nem oportunidades reais 🙂 ) do que me perder de mim de novo.
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