Chamada para Blogagem Coletiva pelo 29 de Agosto – Dia da Visibilidade Lésbica 2026
“Seu silêncio não irá te proteger.” — Audre Lorde
Dez anos se passaram desde a última convocação coletiva pela visibilidade lésbica. Nesse intervalo, as redes sociais se tornaram o centro da produção de conteúdo, moldando o que é visto, lembrado e compartilhado. Os debates coletivos sobre sexualidade e negritude foram se tornando efêmeros. As editoras com material produzido por mulheres lésbicas foram fechando suas portal pela dificuldade de manter financeiramente ativas. Pela mesma razão nosso coletivo se manteve em hiato, mas o tempo exige movimentos e não podemos permitir que o pensamento de lésbicas e bissexuais seja apagado.
Não é apenas o corpo lésbico que sofre invisibilidade, mas também sua palavra, sua escrita, sua análise política. Esse pensar, que não cabe em formatos curtos, exige reflexão, memória e densidade, acaba sendo descartado pelos algoritmos e deletado da história. A lógica da velocidade e do engajamento transforma nossas vozes em ruído, enquanto o pensamento crítico produzido por mulheres lésbicas é silenciado ou deslegitimado.
Palavras serão apagadas até que o significado destas palavras deixe de existir. Vozes são apagadas até que a gente passe acreditar que jamais existiram.







Audre Lorde nos alertou:
“Por causa do silêncio, cada um de nós desenha o rosto de seu próprio medo — medo de desprezo, de censura, de algum julgamento, ou reconhecimento, de desafio, de aniquilação.”
O silêncio, hoje, é a imposição de uma fala moldada pelo mercado digital, que privilegia o consumo rápido e invisibiliza a produção intelectual lésbica e bissexual, apaga vivencias, referencias, história e possibilidades.
Ser lésbica em uma sociedade machista e heteronormativa continua sendo enfrentar estigmas e violências. Mas ser lésbica pensante, produtora de cultura e política, é enfrentar o risco de que nossas ideias sejam apagadas como irrelevantes. Precisamos insistir em escrever, registrar, publicar e ocupar espaços que não dependam apenas das redes sociais. Precisamos construir memória coletiva que não se perca no fluxo incessante de timelines.
A visibilidade lésbica não é apenas aparecer. É pensar, produzir, deixar marcas que não possam ser apagadas. É afirmar que existimos não apenas como corpos desejantes, mas como sujeitos políticos e criadores de conhecimento.
Por isso, o Coletivo Audre Lorde de lésbicas negras e afrodescendentes convoca a Blogagem Coletiva pelo Dia Nacional da Visibilidade Lésbica – 29 de agosto de 2026.
- Se você tem blog, publique seu texto e inclua a frase: “Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica, convocada pelo Coletivo Audre Lorde”. Envie o link no email coletivoaudrelorde@gmail.com até as 22h do dia 29 de agosto para divulgação.
- Se você teve um blog e ele está parado, resgate, nem tudo precisa virar conteúdo, nem tudo precisa ser monetizado e seu registro tem valor.
- Se você não tem blog, crie um espaço próprio. Não permita que apenas as redes sociais ditem o que pode ser dito ou a quem pertencem as narrativas. Caso não saiba como criar um espaço só seu na internet dá uma olhada nos nossos tutoriais.
- Se não for possível ou se não quiser manter um espaço seu, envie seu conteúdo até 28 de agosto para publicação aqui no nosso blog.
- Nas redes sociais, use a hashtag #BlogagemColetivaVisibilidadeLésbica para ampliar o alcance, mas não deixe que elas sejam o único lugar da nossa voz.
Em um tempo-espaço em que palavras são proibidas, que os limites entre o real e o gerado por IA é tão tênue, é urgente dizer que existimos. É urgente afirmar que pensamos, que produzimos, que nossas ideias importam. É urgente quebrar os silêncios que nos sufocam e enfrentar o apagamento que insiste em nos negar.
O silêncio não irá nos proteger. Mas nossa palavra, nossa escrita e nossa produção coletiva podem nos libertar.
* O Coletivo Audre Lorde chamará uma blogagem coletiva pela visibilidade bissexual para o 23 de setembro.
* este post foi originalmente escrito ontem para o Coletivo Audre Lorde, e replico aqui para que chegue em outras paragens. O post também passa a fazer parte do BEDA 2026 do entreblogs e deixa o convite para reflexão sobre outras vidas além das nossas e dos nossos contextos sociais.
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M.
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