Como não é pessoal se é meu?

escrito por M.
Vida Acontecendo

Hoje foi dia de terapia. As elaborações dos ultimos meses tem sido fantásticas.

Falei sobre voltar a postar, a manter um blog, a ir atrás de interesses pessoais.

Também reli alguns posts do meu blog, usei o wayback machine pra acessar outras versões dele e me deparei com dias comuns, quase despreocupados. Eu anotava o que estava fazendo, o que queria, o que sentia. Era tudo tão simples e transparente.

Nesses ultimos dias eu pensei muito sobre a vergonha de publicar, como isso começou. Ou a cobrança de não tornar tudo pessoal demais. Fazer tudo ser util pra alguém, ou politico o suficiente e como isso foi me apagando.

Como um blog pessoal não seria pessoal se no meu caso a proposta era essa? Porque tudo precisa ser útil (e essa coisa da utilidade se extende pra outros aspectos da minha vida, mas é assunto pra outro post).

Contei que encontrei um grupo de blogueiros raiz, que foi o empurrão que faltava pra eu voltar a escrever no meu próprio idioma, expor meu rosto de novo e ignorar o julgamento externo, da minha bolha. Pesei o medo de ser lida e a vontade de escrever e a segunda ganhou.

Em sessões anteriores J. (a psicologa) me disse que eu me sentiria conformativo em ambientes em que as pessoas tivessem pensamentos alinhados aos meus, não do ponto de vista da concordância pessoal, mas sim das linhas de raciocínio. Falar sobre a descoberta de um diagnóstico diferente de Bipolaridade e estar lidando com isso tem sido uma viagem, uma porção de coisas que eu pensava “todo mundo é assim, faz assim, pensa assim” vem caindo por terra. A comunicação com as pessoas ou a minha dificuldade de fazer isso ganhou uma camada de clareza pra que eu possa trabalhar melhor isso, mas ter encontrado um grupo de pessoas disposta a quebrar com a performance de escrever pra vender , gente como mesmo desejo de tornar a internet legal de novo, humana, aleatória, é bom demais.

O coletivo chama entreblogs e cheguei nele enquanto procurava por experiências pessoas na organização de um mestrado e cai no blog da Jeniffer e no seu diário de pesquisadora. Uma coisa foi levando a outra, de link em link cheguei em iniciativas que achava que nem existissem mais. Pessoas de mãos dadas a utopia (mas será que é utopia mesmo?).

Minhas primeiras impressões lendo e vendo as pessoas conversando é que elas vivem aquilo que escrevem, livres da performance de redes sociais e big techs e foi um abracinho. Vamos ver como me sinto nos próximos dias. Se minha cabeça não vai me cobrar “maturidade”, “segurança”, “escrita linear”. O grupo esta se preparando pra um BEDA, e nesses anos todos blogando eu nunca participei de um. Tô ansiosa. Também quero começar a participar dos temas e do clube do livro.

Uma vez num curso de escrita criativa, minha editora me disse que escrevo em fluxo de consciência, ela me deu um exemplo de escrita que era o da Virginia Wolf em As Ondas. Tentei ler e foi insuportável, então imagino que possa ser assim pra quem me lê também, só que desta vez, está tudo bem.

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