Stay High

Eu sinto que sou uma pessoa feliz, mas tenho dificuldade sincera em definir porques ou quais são as coisas exatas que me fazem feliz. Eu sou uma pessoa que não aprendeu a sonhar, a celebrar conquistas, a ter pequenos hobbies e prazeres. Fui criada para servir , e aqui é muito no lugar de ter utilidade mesmo, não diretamente ligado ao lugar do negro. Eu não sei definir certas coisas, descobri recentemente que entendo as coisas de maneira literal, e felicidade acho que é uma dessas coisas.

Eu passei anos da minha vida entrando e saindo de relacionamentos, colando um casamento no outro e me adaptando a gostos e vontades da pessoa que estava comigo, eu entendia que isso era o certo a se fazer. Fiz isso minha vida adulta toda e nunca estive sozinha. Ou estava com meus pais, com maridos ou esposas, e sempre com meu filho. Agora eu estou só e entender o que eu gosto é dificil, tanto quanto o que me deixa feliz.

Eu elaborava muitas das minhas questões com o D., um amigo que preferiu me deixar pelo caminho e eu até entendo o porque e respeito a ausência, mas não estou conseguindo “superar” a coisa como eu faço normalmente. Falar com ele era como encaixar várias peças de coisas quebradas e permitir que elas formassem uma coisa ainda sem nome, mas bonita e funcional. Isso ainda me deixa triste e se eu consigo identificar o que me deixa triste, eu sei que posso definir coisas que me deixam feliz e até passar a anotar todas elas pra que eu me lembre de fazer essas coisas mais vezes.

Felicidade #1
Eu gosto de sentir o sol bater na minha pele principalmente em dias frios. Eu não gostava de tomar sol, mas agora me sinto diferente sobre isso. Tomar sol, não estatelada como uma lagartixa fritando em algum lugar, mas um solzinho de amornar moleira.

Felicidade #2
Bibliotecas. Eu ia mencionar a que eu tenho ido aqui no bairro. Mas não é sobre o lugar, é sobre possibilidades. Seja de encontrar uma história nova ainda não lida, ou aprender alguma coisa aleatória puxando um livro qualquer que vou trazer pra casa, atrasar a entrega e voltar na biblioteca igual um cão abandonado , mas merecedora do perdão.

Felicidade #3
Gosto dos dias em que meu filho vem me visitar. Estamos distantes ultimamente, não só física mas afetivamente. Ele agora mora com o pai e isso me impede de fazer qualquer movimento voluntaria de visita. Além disso ele esta muito ocupado. Eu quase não sei dele. Então as visitas me deixam feliz.

Felicidade #4
Me sinto absurdamente feliz quando eu ensino algo a alguém, principalmente se for numa aula e posso ver a pessoa usando isso na vida, conquistando algo, aplicando o que aprendeu.

Felicidade #5
Ver um amigo (tenho poucos) conquistando algo. Eu não falo pra eles mas as vezes eu choro de alegria pensando no que a pessoa passou e como ela conseguiu aquilo que conseguiu.

Felicidade #6
Casa arrumada. Minhas coisinhas no lugar, limpinhas, perfumadas. Não é sobre beleza das peças ou uma coisas instagramável, é mais uma sensação. Bem próxima de deitar e, lençol limpinho e passado.

Felicidade #7
Musicas com “pedacinhos gostosos”. É complicado de explicar, mas eu gosto de musicas com viradinhas especificas, uma batida especifica, um efeito. Coisas nas musicas que me fazem pensar na genialidade do artista. A melhor maneira de explicar é mostrando né?

Vamos lá – do minuto 5:31 ao minuto 6:32 de Mirrors do Justin Timberlake


e esse cara e as escolhas dele para produtores musicais criam isso em outras musicas. Ele faz de novo em What Goes Around…Comes Around e esse pra mim é muito mais intenso, é uma coisa cerebral não sei 😀

Os primeiros 15 segundos de A Couple Minutes da Olivia Dean

Cada batidinha de Stay High da Brittany Howard ( e o clip é uma felicidade a parte e é uma das minhas musicas preferidas também), mas o minuto 1:58 é brilhante e um afago cerebral.



Felicidade #8
Café da manhã, Pipoca Doce, Parmesão, Batata doce assada, manteiga, cheiro de erva, hidratar a pele, dar presentes, comentários engraçados no tiktok, aniversários, receber cartas, barulho de chuva, escrever

Olhando pro que eu consegui acho que ainda são coisas pequenas, quase clichês. Meu gostar, experimentar e ser feliz ainda estão em construção, mas vai virar uma lista maior. A parte boa é que é muito fácil ficar feliz. Talvez eu passe muito tempo tentando fazer outras pessoas felizes e falhando. Falhando porque a felicidade nunca está no outro e nunca se parece com a nossa felicidade.

‘Cause where I come from
Everybody frowns and walks around
With that ugly thing on their face
And where I come from
We work hard and grind and hustle all day
(Yes, we do)
There comes a time, there comes a time
At night, where we get to play
And we smile and laugh and jump and clap
And yell and holler and just feel great

I just want to stay high with you

Stay High
Brittany Howard

* Este post faz parte do BEDA 2026 do Entreblogs

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me deixa saber o que você pensa

9 Comentários

Renata Carvalho

Gostei do exercício que vc fez de tentar enxergar as felicidades na vida pq não é tão fácil assim como enxergar as tristezas. Isso ajuda a perceber que a vida tbm é feita de altos, não só baixos. Beijos, Livro de Memórias

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Tati

Olha só, ao longo do post você não só conseguiu identificar o que te faz feliz, como também conseguiu identificar seus hobbies. Taí uma conquista pra celebrar! <3

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Henrique Bispo

Caramba, me identifiquei muito! Eu também me sinto feliz enquanto tenho uma dificuldade danada em identificar o que eu gosto. Sem contar parecer viver se moldando aos outros... Enfim, obrigado pela inspiração, vou tentar listar minhas felicidades mais ativamente também.

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Adê

Eu amo amo amo essa música e o clipe com o Terry! <3 e acho demais o fato de vc ficar feliz com conquistas das pessoas que gosta. É uma das coisas mais lindas em amizades e relacionamentos e faz muitaaa diferença!

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Isa

Me identifico com o fato de não ter sido ensinada a celebrar conquistas. Me lembro de que, quando me formei na universidade, a cerimônia de entrega do diploma foi uma das experiências mais desconfortáveis da minha vida. Senti tanta ansiedade. Hoje entendo que esse sentimento de conquista e felicidade é um exercício. Devemos nos exercitar a celebrar pequenas felicidades e conquistas para que isso se torne cada vez mais familiar para nós. Adorei seu post justamente por colocar na lista coisas que te deixam feliz e que também podem ser consideradas conquistas!

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Barbara Moretti

essa sensação do sol na pele é boa demais. e sempre que eu cito isso parece que não consigo colocar em palavras a sensação. o que tu conseguiu perfeitamente: solzinho de amornar moleira ❤️

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Nicolle

Olá, Fiquei muito feliz quando você comentou lá no meu blog, e assim como você se identificou comigo, também me identifiquei com você. Embora, é claro, você tenha mais duas décadas de vida do que eu ksksks. Você descreveu muito bem a sensação eu tenho com essas partes gostosinhas das músicas, não ironicamente, estou ouvindo What Goes Around... Comes Around do JT. E NÃO IRONICAMENTE, também é com as músicas dele que sinto essa sensação. Eu também nunca soube descrever bem. Embora o Timberlake não tenha mais a relevância hoje como já teve (sempre amei Britney, perdão, sinto-me na obrigação de afinetá-lo). Eu gosto de bibliotecas, nem somente por conta da leitura, mas só do lugar mesmo. O cheiro, é um cheiro específico. Ainda mais quando é aquelas bibliotecas que tem mesas e cadeiras de madeira, melhor ainda!!!. Abraços, Nicolle | Hildebrand dos Pés Fortes Kalopsia: nicolledulce.wordpress.com Experimental Aurora: experimental-aurora.blogspot.com

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Bruna Catarina

Esse tipo de post me dá alegria de viver... quanta coisa boa! Na questão do sol, comecei a dar ainda mais valor, quando me dei conta de que a vida de CLT estava me deixando com a vitamina D baixa. Dia todo dentro de um escritório, sem ver o dia passar começou a me enlouquecer. Agora tento sair toda vez que posso. Final de semana passado, peguei um torraço em pleno inverno aqui do RS kkkkk Te desejo um ótimo BEDA e um agosto maravilhoso! Abraço https://falacatarina.com/blog/

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Aline Codonho

Oie. Eu queria primeiro te agradecer por compartilhar com a gente. Sua escrita é muito linda. Eu me identifiquei bastante com seu texto tanto por ter estado muito tempo nesse lugar de saber como agradar os outros, mas não saber o que me agradava. A gente olha tanto pro outro que para de olhar pra gente. Outra coisa é que ao parar pra encontrar a felicidade nas coisas do dia a dia a gente para de acreditar que a felicidade só existe nos grandes acontecimentos. Chegar na padaria quando o pão acabou de sair também é incrível. Um abraço.

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